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Cisnes Selvagens – Três filhas da China por Miguel Franco

Um livro essencial para quem quer conhecer fases da história da China, desde os tempos feudais dos senhores da guerra, passando pela invasão Japonesa da Manchúria e pela guerra civil entre os comunistas e o Kuomintang de Chang Kai-Chek apoiado pelos americanos, até à barbárie da revolução cultural do PCC de Mao Tsé-Tung.



A China, um país imenso a braços com uma infinita dor desde tempos remotos até aos nossos dias, encontra-se retratada na vida de três mulheres, a avó, a mãe e a neta, Jung Chang, a autora, uma contemporânea de 48 anos, que vive exilada em Londres, desde 1978, onde é professora.

Jung Chang, uma testemunha de uma das páginas mais negras da humanidade, a Revolução Cultural de Mao, viveu este período por dentro, um período de constante conflito humano, base da filosofia do grande timoneiro e do chamado Bando dos Quatro, que montaram uma enorme máquina de denúncia da mais leve oposição, de tortura de tanta gente íntegra, de saque, de bárbara destruição da imensa herança cultural da China.

Jung Chang proporciona-nos nesta obra admirável, cheia de drama e tragédia, uma reflexão sobre o que não deve ser a ideologia comunista, uma obra que se lê com empenhado interesse da primeira à última página.

CISNES SELVAGENS relata-nos a escravidão que subjugou três gerações de chineses, é um grito de alarme contra o despotismo que espezinha os mais elementares direitos humanos, é um documento perturbador que desfaz mitos, que esclarece dúvidas acerca duma ideologia, a comunista, que quando posta em prática por ditadores sequiosos de poder se torna no mais abominável dos pesadelos.

Racionalmente os argumentos do comunismo são imbatíveis, pois consubstanciam ideais de liberdade a todos os níveis, de repartição das riquezas segundo as necessidades e capacidades, ideais de fraternidade, de justiça. Na prática, os conhecidos exemplos concretos da sua aplicação, de Estaline a Mao, subverteram esses ideais e assemelharam-se às mais tenebrosas ditaduras em que a pessoa humana foi vilipendiada a todos os níveis.

Estes fracassos levam-me a interrogar sobre quais as alternativas credíveis ao actual estádio do capitalismo e ao livre mercado da globalização, de pensamento único, gerador de fortunas escandalosas e de misérias cada vez mais aviltantes, trate-se de pessoas, trate-se de países.

Comungo da esperança de muita gente de que o socialismo democrático, respeitando os direitos humanos, promovendo a repartição da riqueza, promovendo a educação e a cultura, incentivando os princípios éticos, sabendo ouvir e aplicar o poder do povo através da democracia, constitui actualmente a alternativa mais realista de se lutar por um mundo mais justo, social e economicamente, mais livre, mais solidário, mais humano.



CISNES SELVAGENS – Três filhas da China

CHANG, JUNG

Quetzal Editores


Miguel Franco
Texto inserido em:30/01/2002



Miguel Franco



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